quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Entrando finalmente na brincadeira...

Queridos contadores,

Lamento muito todo esse tempo que não participei do blog, mas já estou me atualizando e lendo todos os causos postados.
Claro que tenho que agradecer à Fê que me lembrou, com suas estórias, o maravilhoso curso de Dôra e ao nosso querido Moisés por criar o blog e não desistir dele mesmo não tendo muitas manifestações. Obrigada pelos parabéns e com muiiiiiiiitttttoooo atraso te desejo meus parabéns também!!

Na próxima postagem é a minha vez de brincar e contar uma estorinha...

Beijos,
Celina.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Ciranda, cirandinha... vamos todos cirandar?

Contadores queridos,
Depois de uma longa longa LONGA demora (não é mesmo, Moisés?), deixo aqui para vocês duas das minhas estórias do nosso saudoso curso com a mestra Dôra. E que tal já começarmos a pensar em datas possíveis para o módulo II? Não sei quanto a vocês, mas eu já estou com muitas saudades das nossas cirandas ao vivo, quando a gente pode "garrá no cunvercê" até não mais poder. E a Reca deve ter voltado cheia de "causos" lá de Cordis que eu ainda não ouvi!!!
Beijos e abraços carinhosos... e senta que lá vem estória!
Escularápio
Um escularápio foi chamado para tratar de uma rica senhora que sofria de catarata. Sendo, porém, desonesto, o nosso querido amigo, sempre que ia visitar a rica velha, furtava-lhe um objeto precioso. Quando acabaram os objetos preciosos, ele começou, despudoradamente, a levar-lhe também os móveis, um a um.
Afinal, certo dia, não tendo mãos o que roubar, deixou de visitar a velha. Mas, não contente com isso, sapeccou-lhe em cima uma conta terrível, capaz de abalar mesmo a fortuna do mais rico catarático.
A velha protestou, dizendo que não pagava, e a coisa foi para o tribunal. E foi no tribunal que a velha declarou o motivo de sua recusa em pagar. Disse:
"Não posso pagar a conta do senhor escularápio, do doutor médico, porque eu estou com a vista pior do que quando ele começou a me tratar. No início do tratamento eu ainda via alguma coisa. Mas agora, não consigo enxergar nem os móveis lá da sala".
(Millôr Fernandes)
Nascimento do menino
Da mulher - que me chamaram: ela não estava conseguindo botar seu filho no mundo. E era noite de luar, essa mulher assistindo num pobre rancho. Nem rancho, só um papiri à-toa. Eu fui. Abri, destapei a porta - que era simples encostada, pois que tinha porta; só não alembro se era um couro de boi ou um tranço de buriti. Entrei no olho da casa, lua me esperou lá fora. Mulher tão precisada: pobre que não teria o com que para uma caixa-de-fósforo. E ali era um povoado só de papudos e pernósticos. A mulher me viu, da esteira em que estava se jazendo, no pouco chão, olhos dela alumiaram de pavores. Eu tirei da algibeira um cédula de dinheiro, e falei: - "Toma, filha de Cristo, senhora dona: compra um agasalho para esse que vai nascer defendido e são, e que deve de se chamar Riobaldo..." Digo ao senhor: e foi menino nascendo. Com as lágrimas nos olhos, aquela mulher rebeijou minha mão... Alto eu disse, no me despedir: - "Minha Senhora Dona: um menino nasceu - o mundo tornou a começar!..." e saí para as luas.
(João Guimarães Rosa - Grande Sertão: Veredas)

Travessia, ou a terceira margem

Foi um fato que se deu um dia... Em agosto de 2008.

Era missa de sétimo dia do meu pai, na Associação da Comunidade Japonesa Shimane-Ken, no Bairro da Saúde, da província onde meu pai nasceu quase 90 anos atrás. Convidamos um monge budista, do templo Soto Zoshu, da Liberdade.

Meu pai ajudou muito para manter a cultura e a tradição japonesa e também ajudou na construção e na manutenção, tanto da Associação como do Templo.

E o monge começou dizendo:

“O pai de vocês deixou este mundo, e ele está fazendo uma viagem. Pelo rio. Faz a travessia. Ele não está mais nesta margem. Mas também não chegou na outra margem. Ele está no meio. Está na terceira margem do rio. Para que ele faça uma boa travessia, precisamos fazer oferendas e orações. De sete em sete dias, até se completarem 49 dias, que são sete semanas, ofereçam aquilo de que ele gostava: comidas, flores... E vamos lhe desejar uma boa viagem. E vamos fazer outra missa, quando se completarem os 49 dias.

“Durante esse período, não mexam no seu quarto, não mexam nas coisas pessoais. Ele ainda está presente. Não deixou ainda o seu lugar. Não chorem. Não se atormentem. Se lamentarem a morte dele, ele vai ficar atrapalhado. Não vai fazer uma boa travessia. Lembrem-se da vida dele. Dos seus ensinamentos. Da travessia que fez em vida...”

A minha mãe não falou “ou você vai ou você fique”. Eu vi a imagem dela bonita, tranqüila, na cabeceira da cama do hospital. Ela estava esperando por ele, para fazerem a travessia juntos
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Temos de agradecer à amiga Rosa Haruco Tane, nossa anfitriã da Roda de Leitura de Guimarães Rosa, no IEB, na USP, por esta história. Obrigado, Rosa.
Comentem, por favor. Compartilhem.

Uma estória-projeto de cem delícias

Caros, caras,

uma vez que ainda aguardo a manifestação dos(as) colegas "contadores de estórias", que, ao que parece, ainda não se animaram a dançar a ciranda, apresento-lhes aqui o novo projeto de nossa colega Luana Azeredo, juntamente com sua historinha, editada por mim, [licencinha, Luana], a qual podemos chamar de "Luana e os Cheesecakes". Ela mesma nos diz o seguinte:

Caros contadores de estórias,

sei que andei sumida, mas andei tramando minha própria história, ou mudando seu rumo. E é por isso que vnho contar para vocês a história de meu novo projeto, do qual vocês podem fazer parte.

Aí, então, a historinha:

Luana e os Cheesecakes

Eu nunca tinha dado bola para cheesecakes. A bem da verdade, eu só gostava mesmo é de bolo seco (daquele gostoso bolo caseiro para tomar com café) e de sorvete. Humm, como eu adorava sorvete! A ponto de dizer que me casaria com o homem que chegasse na minha casa com um pote deles na mão.

E foi mais ou menos assim que aconteceu. Eu o conheci naquele começo de ano de muitas determinações e de novas tentativas. Na segunda vez em que foi me buscar em casa, ele me abraçou e me entregou aquele isopor cheio de delicioso frozen yogurt. Mas o homem que viria com o sorvete, e com quem eu já completei mais de dez anos de alegrias e muitos outros sorvetes, também seria aquele que me apresentaria para o mundo maravilhoso dos cheesecakes, seu doce preferido.

Quando o ouvi dizer “este é meu doce preferido” pela primeira vez, pensei: curioso este meu namorado. Na segunda vez, decidi sair por aí com ele à caça do melhor cheesecake da cidade. Provamos muitos, até nos empapuçar, e elegemos o cheesecake do Viena como o mais próximo do original (apesar das coberturas pouco ortodoxas como goiabada e gelatina de morango).

Mas como eu poderia dizer que era próximo do original se eu nunca tinha provado um? E foi assim que, na minha primeira viagem para Nova York, comi todos os cheesecakes aos quais tinha direito. Do cremoso da Dean and Deluca, passando pelo gigante da Carnigie Deli, me aventurando pelos mais populares (como Junior’s e Cheesecake Factory) e me descobrindo nos mais inusitados, o Italiano da Monteleone’s, o de abóbora do Whole Foods Market e o de limão da Yura and Company.

E como, afinal, eu passei de caçadora a fazedora de cheesecakes? Foi uma capa de revista que me jogou de vez nesta brincadeira, que, seguida de muitos outros livros, formas especiais e dezenas de testes, me trouxe até aqui.

O Projeto:

Cem cheesecakes diferentes serão feitos ao longo de 50 dias em uma mini cozinha, e vendidos por R$ 100,00 cada um, deixando felizes a mim, Luana, que vou poder finalmente experimentar todas as receitas que sempre quis, a quem comprar, por poder comer esta delícia - muitos dizem que o meu cheesecake é o mais gostoso que já comeram - e a ONG Banco de Alimentos que ficará com 70% do valor total arrecadado.

Tudo isso entre 17 de agosto e 27 de outubro. Maiores informações no blog:

http://100cheesecakes.wordpress.com